Header Ads

NTAgora

Compartilhe:

COMANDO VERMELHO DISPUTA LIDERANÇA DO CRIME NO TOCANTINS



Ex-aliados, o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) disputam a hegemonia do crime no Tocantins e em mais oito Estados do Brasil. 


Foi o que revelou o mapeamento realizado pelos pesquisadores do NEV/SP (Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo), Camila Nunes Dias e Bruno Paes Manso. Os dois são autores do livro recém-lançado “A Guerra – A Ascensão do PCC e o Mundo do Crime no Brasil”.

Além do Tocantins, os grupos criminosos estão em disputa no Acre, Amapá, Alagoas, Ceará, Pará, Rio Grande do Norte, Rondônia e Roraima.

Em janeiro de 2018, integrantes do Comando Vermelho gravaram um vídeo em Colinas afirmando que o Tocantins estava dominado pela facção. Confira o vídeo:


Em setembro do ano, o Tribunal de Justiça do Estado foi alertado sobre potencial ataque dessas duas facções a membros do judiciário e Ministério Público.

Também em 2017, um levantamento do MP de São Paulo apontou que o Tocantins estava na 12ª posição em número de criminosos ‘batizados’ pelo PCC.

Dos nove estados listados, sete estão entre os que tiveram as maiores taxas de mortes violentas em 2017, de acordo com pesquisa divulgada no 12º Anuário Brasileiro de Segurança Pública.

Para os pesquisadores, o projeto de expansão da facção paulista pelo Brasil se chocou com os planos do CV e de facções locais e tem relação direta com o alto índice de homicídios nesses locais.

Guerra de facções começou em 2016 


Fundado em 31 de agosto de 1993, no Anexo da Casa de Custódia de Taubaté (130 km da capital paulista), o PCC tinha como inspiração o lema “Paz, Justiça e Liberdade”. As palavras de ordem são originalmente do Comando Vermelho, grupo criminoso do Rio de Janeiro, nascido no final dos anos 1970, ainda durante a ditadura militar.

As duas facções eram aliadas até o segundo semestre de 2016, quando entraram em confronto definitivo por, entre outros motivos, disputarem batismos de criminosos em presídios.

Mapa revela facções regionais 


O mapa foi obtido com exclusividade pelo UOL e apresentado nesta quarta-feira (22) durante o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, realizado em Brasília. Ele fará parte de uma versão especial do Anuário Brasileiro de Segurança Pública. O mapa mostra também quais são as facções de alcance regional em cada estado brasileiro.

Além do projeto de expansão da facção paulista, os pesquisadores identificam outros três fatores que influenciaram o processo de surgimento desses grupos criminosos, a partir do começo dos anos 2000. Os dois primeiros são a migração de especialistas de roubos a bancos para outros estados do país e a abertura de franquias do Comando Vermelho.

O terceiro fator foi o surgimento de facções estaduais inspiradas, sobretudo, no exemplo do PCC, mesmo aquelas que foram criadas para se opor ao grupo paulista, a exemplo da Okaida, na Paraíba, e do Sindicato do Crime, no Rio Grande do Norte.

“O crescimento do mercado consumidor de maconha, cocaína e crack em todas as regiões brasileiras, nas grandes, médias e pequenas cidades, permitiu a costura das redes carcerárias às malhas urbanas em todo o país,” afirmam os pesquisadores Camila Nunes Dias e Bruno Paes Manso.

“A porta giratória da prisão, girando freneticamente, foi tecendo essa rede e conectando esses indivíduos entre si, produzindo vínculos, identificações, alianças. Mas, também, competição, rupturas, conflitos, violência e mortes.”

Para combater as facções, os estudiosos defendem a implementação de políticas de segurança pública que integrem ações de repressão qualificada (com inteligência e investigação) às de caráter preventivo.

“É preciso oferecer serviços públicos de qualidade, a exemplo de saneamento básico, saúde, educação etc, e focar nos segmentos da população mais vulneráveis à violência das facções, da polícia e do sistema carcerário: os jovens, pobres e negros“, afirmam.

No último dia 20 de julho, o ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, afirmou que será criada uma Comissão Nacional de Inteligência e Operações contra o crime organizado.

“Hoje o sistema penitenciário brasileiro, que já é o terceiro maior do mundo, está sob o controle das facções e grupos criminosos“, disse Jungmann à Agência Brasil.

Ainda não há previsão para o início dos trabalhos da comissão.